05 de outubro de 2004 † 13 de janeiro de 2006

Como ter as próximas gerações amaldiçoadas

Eu estava com vontade de comer pão de queijo. E sabia que perto de onde eu ia há uma padaria. O único problema é que eu não pensava que no Jardins - isto é, o bairro poderosíssimo de São Paulo- os preços eram anormais.
Em qualquer padaria normal, com um dono são, o quilo do pão de queijo varia entre dez e treze reais. Lá era vinte e quatro. Eu realmente estava com vontade de comer pão de queijo e aproveitando o dinheiro que ganhei de bom princípio em Piracicaba (uma tradição maravilhosa, se querem saber), pedi trezentos gramas de pão de queijo para poder dividir com a minha mãe.
A mulher colocou 316g e ficou R$ 7,58. O que a gente não faz pra se livrar das lombrigas?
Peguei um chocolate branco no caixa, o qual custava R$1,05.
Somando tudo: R$ 8,63.
Dei uma nota de vinte reais e comecei a refletir sobre o absurdo que era o quilo do pão de queijo, o lucro duas vezes maior que o dono teria comparando com um dono normal, a procedência da farinha de trigo (importada da margem do Nilo, só pode ser!), como as pessoas nunca dão troco certo se ele precisar de um ou dois centavos.
A mulher me deu R$ 11,35.
Fazendo a conta rapidamente eu percebi que o troco era, na verdade, de R$ 11,37.
- Estão faltando dois centavos. Você não tem aí?
- Não. Mas eu te dou cinco centavos se você quiser.
- Sim, eu quero.
Esperei ela terminar com a mulher que estava atrás de mim (uma daquelas com cara de nojo, que têm pressa e gosta de me fuzilar com o olhar). Ela abriu o caixa e pegou uma moeda de cinco centavos e me deu. Quase pude ler seu pensamento. Mas aqui não porei palavras chulas e feias. Agradeci e saí.
Tive um ataque de risos numa das ruas mãããããis poderosas depois de ver que tive um abatimento de três centavos.
Comecei a planejar meu próximo passeio: loja de R$1,99! Exigindo um centavo de troco.