05 de outubro de 2004 † 13 de janeiro de 2006

Planos pro Natal

Todos os anos, o dia 24 de dezembro é igual. Eu poderia dizer quantos passos cada um da família vai dar, quem vai à missa, o cd que tocará, as comidas que cada um vai trazer.
Primeiro, chega o meu tio Marco e talvez meu primo Fabrício porque eles não vão à missa. No meu papel de agnóstica, eu fico em casa também. Quebrando e comendo nozes e amêndoas. Às vezes avelãs.
A Paula vai a uma igreja mais perto da casa dela, minha mãe vai a qualquer uma que não seja a mais perto de casa, a Téo vai àquela que minha avó for. Talvez meu avô cante no coral da igreja.
Todos voltam. Comem tender que a Téo trouxe, peru que minha avó fez, maionese da Rose. E eu fico me divertindo com nozes, amêndoas e avelãs (porque só as vejo uma vez por ano). Meu avô põe um cd de músicas natalinas, ou o cd do coral gregoriano austríaco onde os freis cantam descalços. Eu torço o nariz (=~), mas a família adora poder ouvir uma música harmoniosa enquanto come. =~~
O Papai Noel chega. Ou a gente finge que chega. Meus primos param de brincar, eu paro de comer, e os adultos arrumam tudo lá fora.
As crianças se matam para pegar seus respectivos presentes. Eu continuo sentada na sala. Como sou mais velha e a diferença de idade entre mim e meus primos é muito grande, fico meio solada. Eles só não me isolam quando precisam passar urgentemente a primeira fase do Aladdin no SuperNintendo. Os mais velhos (no caso, meus tios e avós) também me isolam. Ninguém uer saber minha opinião sobre subsídios agrícolas, política externa do governo Lula, a guerra do Iraque, a fome na Argélia.
Meia-noite ligam a tevê pra ver a missa do Galo. Esse ano com um Papa novo. Alguma coisa será diferente!
Se eu tivesse uma árvore de Natal, eu a queimaria.
[ouvindo: Papai Noel, Velho Batuta]